Boris Casoy ofende garis. Quem mais perde com este episódio?

Publicado: 05/01/2010 em Ensaios
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Hoje eu assisti a um vídeo no site You Tube do jornalista âncora do Jornal da Band, Boris Casoy, ofendendo dois garis que apareceram no final do bloco do jornal desejando um feliz ano novo. Durante a vinheta do jornal, houve um problema e o áudio do apresentador vazou. Assista ao vídeo abaixo.

Para quem não conseguiu assistir ao vídeo, durante a vinheta, o apresentador fala “Que merda. Dois lixeiros desejando felicidades… do alto das suas vassouras. Dois lixeiros. O mais baixo da escala do trabalho”.

É até redundante dizer que este comentário foi muito infeliz. Como que um apresentador de televisão, supostamente sério, faz este tipo de comentário? Esta é uma oportunidade para falarmos sobre hipocrisia, sadismo, inveja e preconceito.

Fica até difícil de ler todos os comentários que foram postados sobre o vídeo, ofendendo e humilhando o jornalista. Também, não é para menos, o apresentador realmente cometeu uma gafe épica. Porém, como todos nós sabemos, existem questões hipócritas, sadistas, invejosas e preconceituosas por trás disso tudo.

As questões hipócritas giram em torno do fato de que as pessoas, normalmente, passam longe dos garis para que não se “infectem com a sua sujeira”. Parece que não há como você dizer “bom dia” para um gari sem que ele não entenda o que você falou. As pessoas costumam achar que eles são ignorantes demais. Não há maneiras de se relacionar, é o que todos (ou a maioria) pensam. As empregadas domésticas são muito mal pagas, e grande parte das pessoas sequer diz “bom dia” ao porteiro do prédio onde moram. E com a cara mais deslavada do mundo acessam o site para meter a boca no apresentador e jornalista. Obviamente não estou falando de todos, afinal existem pessoas sinceras em seus pensamentos e comentários, pessoas que realmente respeitam os outros seres humanos. E também não defendo o apresentador, porque é óbvio que o que ele fez foi errado.

Dizem que “um macaco nunca olha para o seu próprio rabo”. Isso quer dizer que todos temos defeitos, mas que para a maioria das pessoas é difícil identificá-los, já que temos a tendência a esquecer, ou deixar de lado, tudo aquilo que temos de ruim. Não é fácil olhar para dentro de nós mesmos e reconhecermos os nossos defeitos, mas é uma tarefa que deveríamos fazer todos os dias. Só conhecendo os nossos próprios defeitos é que podemos evoluir. É um exercício ótimo e fundamental.

Na questão do sadismo, podemos dizer que sim, as pessoas sofrem um estímulo na área do cérebro que diz respeito à recompensa quando vimos outra pessoa sofrer. Parece horrível para você? Pode ser, mas é a pura verdade. Uma oportunidade de escrachar alguém publicamente, principalmente uma pessoa com fama, é um prazer imenso para o nosso cérebro, por mais inconsciente que isso seja. É realmente muito bom xingar alguém de vida pública, principalmente se esta pessoa sempre tiver sido considerada séria. A satisfação (no sentido mais físico da palavra) de ver alguém com essas características sendo humilhado é grande.

Você já xingou um amigo seu por “brincadeira”? Chamamos de “brincadeira” porque nos agrada, nos diverte. Certamente você gosta mais de “brincar de xingar alguém” do que ser “xingado de brincadeira”. Isso é sadismo, característica que todo o ser humano tem, em grande ou pequena intensidade.

A inveja, neste caso, tem uma ligação com o sadismo porque, a pessoa em questão – o apresentador e jornalista Boris Casoy – é uma pessoa famosa, creditada, provavelmente rica e que trabalha em uma grande rede de televisão brasileira. O que tantas características positivas provocam? Inveja. Todo o ser humano possui esta característica e, assim como no sadismo, em menor ou maior intensidade. A inveja pode ser transformada em admiração, que pode se transformar em combustível para as pessoas lutarem para alcançarem os seus objetivos. Mas se não se transforma em admiração, fica só na inveja, que é um sentimento ruim, sem dúvida. O grau de inveja do ser humano permite com que os comentários sobre o fato fiquem muito mais intensos, fervorosos e cheios de ódio.

A questão do preconceito é muito mais ampla, mas vou tentar limitá-la a este episódio. Preconceito existe de todos os tipos. Preconceito contra ricos, contra pobres, contra pessoas bonitas, feias, contra obesos e magros. O preconceito é uma forma do ser humano de se precaver contra possíveis problemas que ele, ou a sociedade com um todo, possa ter com tal tipo de pessoa ou questão. O fato é que, assim como outros tipos de preconceito, também existe preconceito contra os garis. Existe também contra os grandes empresários multimilionários. Contra empregadas domésticas e contra dondocas que só vivem do dinheiro do marido.

O importante é sabermos que certos tipos de preconceitos são absurdos, não fazem o menor sentido e só nos fazem perder tempo ofendendo pessoas. O preconceito demonstrado por Boris Casoy contra os garis foi uma gafe terrível, um tremendo engano, uma falta de respeito considerável. De fato, esse episódio serve para a nossa evolução como pessoas, como profissionais, como almas. Eis uma dica para as pessoas preconceituosas. Faça o exercício de olhar para dentro de si, de autoconhecimento, saibam o que vocês têm de bom e de ruim. Valorizem o que têm de bom e tentem melhorar o que têm de ruim. Este é um ótimo exercício para a nossa evolução.

E para o senhor Boris Casoy, eu realmente não poderei mais levá-lo a sério. Um jornalista, que deveria estar ao lado do povo não pode, em hipótese alguma, cometer este tipo de erro. Ele chegou a pedir desculpas durante o jornal, mas nenhuma desculpa vai apagar o seu comentário infeliz.

comentários
  1. sergio kerber disse:

    sou de teodoro sampaio-ba, sempre digo quem faz o marginal e a sociedade.
    nçao vejo lixeiros colocando dinheiro na meia nem na cueca.
    lixeiro tem muita vergonha e dignidade.
    lixeiro honra compromissos.
    boris deveria pedir desculpas e ser demitido da record.
    essa sociedade brasileira precisa de vergonha na cara e aprender respeitar aqueles que realmente trabalha.
    sou a favor da força do trabalho.
    respeito e bom e conserva os dentes!

    • Alexandre Bigaiski disse:

      Pois é, Sérgio. As pessoas deveriam se preocupar em crescer na vida, sem depender dos outros, em vez de ficarem preocupadas se um lixeiro, ou qualquer pessoa, seja inferior a elas. O Boris Casoy realmente cometeu uma gafe incrível, e acredito que nenhuma desculpa irá fazer com que ele se redima com o povo, e muito menos com os lixeiros, essa classe que trabalha, sofre de sol a sol, para levar comida à mesa. Vamos mudar, pessoas! Abraços.

  2. Altair de Paula disse:

    É… fiquei pasmado e triste comigo mesmo ao saber desse infeliz comentário. Sabemos que não se trata de apenas um comentário. É muito mais profundo, é um modo de pensar: e coletivo. Sabemos que o mundo irá de mal a pior, mas temos que remar contra a maré. Oremos a Deus para que cada um de nós alcance discernimento, sabedoria do céu e singeleza de coração. Decidamos amar uns aos outros, verdadeiramente!

  3. sidnei disse:

    É lamentavel se deparar com um comentário de uma pessoa tão influente nos meios de comunicaçaõ,Boris ,você realmente demonstrou quem você realmente é,preconceituoso ,hipócrita e se julga melhor que os outros.Toda profissão é digna de respeito será que você possui a dignidade destes a quem voce mostrou total repudia?Será que estas suas falsas desculpas ira´cobrir os eu preconceito para com essas pessoas?
    É melhor voce retirar esta mascara suja e hipócrita .

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